É a eterna contradição humana.
“Há muitos modos de afirmar; há só um de negar tudo.”
O homem nunca está satisfeito com o que tem. Se esforça para conseguir o que quer e quando consegue, desdenha. Somos, como disse o mestre Machado de Assis, uma eterna contradição. É possivel ver originalidade e autenticidade nisso assim como falta de caráter e ausência de dignidade e confiabilidade. Como originalidade, podemos dizer que, se me contradigo, é porque mudo, e se mudo, evoluo (ou não?). Logo, se não sou constante, posso surpreender e isso me confere auntenticidade certo? Admitir que sou inconstante? Talvez. Essa mesma inconstância que pode me atribuir o efeito de surpreender deve me fazer perguntar se surpresas são sempre boas. Não, não são. Não entrando em méritos estatísticos, se você para para pensar no número de vezes que foi surpreendido de forma positiva, este, provavelmente perde para o número de vezes que foi surpreendido de forma negativa.
Mudar é bom, mas se contradizer não é. Admitir que está errado é marca de caráter, insistir no erro é simples estupidez. Ser irredutível e inflexível é defeito porém, um pouco de constância é sinal que se pode confiar.
Esse post não tem nada a ver com espiritualidade e sim com humanidade.
Pense fora da tua caixinha.
“— Senhor, eu sou, como sabeis, o espírito que nega.
— Negas esta morte?
— Nego tudo. A misantropia pode tomar aspecto de caridade; deixar a vida aos outros, para um misantropo, é realmente aborrecê-los…”
in Machado de Assis “A Igreja do Diabo“
brunofidelis said,
August 3, 2010 at 11:12 pm
Muito bom! Gostaria de ser inteligênte o bastante para ler Machado de Assis! Ele é fantástico!
giselebevilacqua said,
August 4, 2010 at 1:44 pm
Obrigada. Mas não pense que não pode ler Machado. Machado é como a vida, mesmo quando encontramos coisas que não entendemos acabamos gostando.